Eu sempre gostei de comemorar datas. Sempre curti celebrar tanto as coletivas (como dia dos namorados, por exemplo), como as particulares, aquelas criadas entre a gente, e que serviam como marcos para nos lembrarmos do caminho que percorríamos juntos.

 

Aniversário do primeiro beijo, por exemplo. Eu ainda sei a data, lembro do local (era um bar, depois virou uma garagem, agora não sei mais o que é), lembro até da ocasião que nos levou até lá. Aniversário de namoro. Depois aniversário de casamento, claro. Todas essas coisinhas que os casais criam e cultuam e que de certa maneira servem como auto-afirmação, como uma profissão de fé do amor e dedicação que um tem pelo outro.

 

O problema é quando isso é unilateral. Eu sempre curti produções, e almocinhos especiais, jantar com velas, roupa nova. E mesmo quando não comprava presentes, pensava em coisas que eu mesma fazia, como montagem com fotos, recados, receitas elaboradas, que eram importantes na medida que diziam publicamente como ele era importante para mim, e como a nossa relação era importante. 

 

Posso ter cometido vários erros, mas o de não falar, esse certamente eu não cometi.

 

O problema é que nem minhas ações, nem minhas palavras tinha eco. Quer dizer, no começo ele achava bonito, e curtia todas as produções, e até chegou a comprar presentes e a topar as minhas loucurinhas. Uma vez, por exemplo, eu enchi a casa de velas (com pratinhos e protetores, para ter segurança, claro), e cheguei em casa mais cedo, coloquei uma lingerie super bonita e fiquei mandando fotos pro celular dele. Mas as iniciativas eram sempre minhas. Sempre.

 

E aí acabou. Não era mais divertido, ele não se empolgava mais, e chegava muito cansado pra todas essas coisas. Teve um dia dos Namorados que eu vui encontrar com ele no trabalho, e acabei sendo “assistente” dele, até bem tarde da noite. Não exatamente a minha idéia de comemoração e data especial, mas que, enfim, cedi porque é isso que a gente acaba fazendo num relacionamento, né, a gente cede, e se desdobra toda para agradar às vontades e necessidades da outra pessoa.

 

Então quando começou este dia dos Namorados, eu estava triste. Triste porque sempre me diverti fazendo planos e criando atmosferas especiais. E mesmo que estivesse comemorando mais ou menos sozinha (nos dois últimos anos, principalmente), eu, em parte, fazia porque eu gosto de comemorar as coisas, acho importante.

 

Estava triste porque havia em mim uma esperançazinha burra, estúpida, que ele acabasse se sensibilizando com todos os corações e beijos apaixonados pela cidade, e que se rendesse à saudade e que acabasse enfim me ligando, porque queria comemorar comigo. Tolice. Burrice. Besteira. Chame do que quiser, mas não vou negar que nutri essa ilusão. Não deixei que ela crescesse, porque daí seria gostar muito de sofrer.

 

Então que quando uns amigos me perguntaram se eu não queria sair para comemorar o fato de estar viva, eu aceitei na hora. Sim, eu preciso de comemorações, com pessoas que gostam de mim, e que estão ao meu lado, segurando minha mão, me puxando para cima, e me ajudando a juntar os pedacinhos. Sim, eu preciso comemorar que estou viva. Por mais bobo que isso seja. Então escolhemos um bar que não estava decorado com corações e cupidos e todas essas coisas, e chegamos cedo, pegamos uma mesa no canto, e ficamos ali, conversando e celebrando o fato de estarmos vivos, de estarmos ali juntos, de termos essa maravilhosa oportunidade de compartilharmos aprendizados, sonhos, experiências. A vida.

 

Foi o melhor Dia dos Namorados dos últimos tempos. Não precisei de nenhuma super produção (ok, fui arrumadinha: uma roupa bonita e uma maquiagem fazem maravilhas, não é mesmo?), não precisei me preocupar em agradar o tempo todo, em estar fazendo o ex feliz, não houve troca de presentes nem nada. E por isso mesmo foi ótimo: foi tranquilo, foi simples, foi verdadeiro.

 

E era tudo que eu precisava para me lembrar de mim mesma. De como eu sou importante sim, e todas essas coisas bobinhas que eu valorizo, não são nem um pouco bobinhas.

 

Tem uma frase de que me lembrei, e cuja autoria não tenho certeza então não vou arriscar, mas que fala que a nossa vida pode ser pesada, mas que se a gente tiver amigos, eles nos ajudam a carregar, e tudo fica mais leve. Inclusive passar o dia dos namorados sozinha, depois de levar um pé na bunda, como eu levei.

 

PS: às amigas Paula e Taís, do 6mesespramudar, vocês são amigas ótimas, que mesmo estando ocupadas com seus respectivos namorados, me deram todo o carinho do mundo! Obrigada de todo o coração!

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