Quando a gente atinge o fim do poço, só há um caminho a seguir: a saída.

 

Isso é o que todo mundo pensa, né. Isso é o que os gurus da auto-ajuda vão te dizer. Isso é o que aquele amigo querido vai te dizer enquanto seca tuas lágrimas. Isso é o que a sociedade inteira vai gritar pra você, seja pelas capas de revistas femininas, seja pelas reportagens de auto-superação, seja pela ideia generalizada de que todos temos que ser felizes e vencedores.

 

Sinto em informar, sociedade, amigos, terapeutas, mas não é bem assim. Vocês estão todos mentindo.

 

Quando a gente atinge o fim do poço, existem duas possibilidades. Subir é uma delas. A outra é cavar e continuar descendo.

 

As pessoas ainda se chocam, mas a gente sabe que no fundo, no fundo, é isso que acontece. A gente continua cavando.

 

A gente alimenta pequenas esperanças de uma possível volta. E imagina todas as palavras que ele vai dizer, e todas as palavras que a gente vai responder, e imagina onde e quando vai ser esse reencontro, e se inspira em todos os filmes e comédias românticas já vistos na vida para criar a sequência do enredo que fica passando em looping na mente, enquanto a gente vai se ocupando com trabalho, com a louça pra lavar e as contas pra pagar.

 

Não, eu não liguei, nem procurei por ele, nem nada nesse sentido. Até porque não quero ser a “ex-inconveniente”, já que ele está com uma nova namorada. Mas às vezes ainda me pego pensando nele, e imaginando o que eu faria se as coisas não tivessem terminado tão bruscamente, e fazendo escolhas de acordo com o gosto dele.

 

Conversando com uma amiga sobre isso, ela me disse que eu ainda não me desliguei completamente. Acho que ela tem razão. E isso configura estar cavando mais fundo, não é mesmo? Eu acho que sim. E aí a solução é aquele exercício diário de concentração, e foco, e prestar atenção a esses momentos, e substitui-los por outros pensamentos, outras vontades, outros interesses.

 

Lutar contra a gente mesmo, e contra a auto-sabotagem é sempre a luta mais indócil, mais difícil. Eu sei disso. Mas também é a mais recompensadora, quando a gente não desiste. E continuar lutando é metade da vitória.

 

Então, nesta sexta-feira, vou fazer uma coisa positiva por mim mesma, neste fundo infinito de poço em que me encontro e vou parar de cavar. Não sei se já tenho forçar pra escalar todos os quilômetros que desci, mas ao menos vou parar de cavar. Já é um começo.

 

 

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