O que determina um relacionamento? Como ele começa? É com um pedido formal, daqueles de pegar na mão, olhar nos olhos e dizer, “quer namorar comigo?” Ou começa bem antes, com a decisão de passar mais tempo juntos, de compartilhar assuntos, de identificar afinidades? Como colocar um marco exato naquele momento em que você se dá conta de que quer passar mais tempo com aquele cara do que com quaisquer outros existentes no mundo? Não sei se isso existe.

 

Assim como também não existe como determinar o fim de um relacionamento. 

 

Quer dizer, a gente sabe a data da briga. A data e a hora da conversa. A gente sabe a data, a hora e o local em que ouviu o fatídico “precisamos conversar.” Data, hora, local, roupa, soco no estômago quando a frase foi “acho que não te amo mais.” Tudo isso a gente sabe. Mas, como identificar o início do processo? O que gera o fim de um relacionamento?

 

Eu não sei. Se eu soubesse, talvez pudesse ter evitado o fim do meu. Talvez se o fim de um relacionamento funcionasse como um mofo na parede, fosse fácil de evitá-lo. O mofo começa com uma umidadezinha que a gente não enxerga, mas que cresce rapidamente, e vira um ponto esverdeado na parede. Aí é fácil de ver, mesmo de longe, onde está o problema. E, sabendo onde ele está, fica também fácil de lutar contra ele. A gente busca de onde vem essa umidade, onde está a infiltração. Sabendo isso, a gente consegue manter o foco ali, até resolver completamente. Acompanha o resultado, vê se não vai aparecer de novo.

 

Ah, se o fim de um relacionamento fosse tão fácil de resolver quanto um mofo na parede.

 

Mas não é. A gente só consegue vislumbrar o problema depois que ele passa, como um furacão, destruindo tudo no caminho. E ainda assim não dá pra ter certeza de nada, porque é tudo especulação, já que dificilmente a gente vai conseguir que a outra parte (a que tomou a decisão, a que pulou fora do barco, a que nos abandonou, etc) nos diga, sinceramente, como tudo começou, como tomou a decisão, qual o momento em que o amor acaba.

 

O que fica, depois disso? Esses dias achei essa imagem pela internet e fiquei horas e horas pensando a respeito.

Akiss

E não seria exatamente assim, um relacionamento? A gente se mistura tanto à outra pessoa que acaba perdendo a identidade. A gente deixa de se saber por si, para se saber pelo outro. A gente deixa de se conhecer, para se reconhecer apenas pelos olhos do outro. A gente deixa de pensar em si para pensar também no outro (ou, no meu caso, pensar apenas no outro). Como continuar sendo um se a gente resolve, de livre e espontânea vontade, se dissolver nesse ente comum que é “o relacionamento” (O Namoro, ou O Casamento) e prefere viver nessa simbiose? Como impor respeito e limites e vontades, se em um determinado ponto da história tudo isso foi posto de lado, em prol de um conjunto maior, que deveria ser benéfico para ambos os lados?

 

Acho que aí é que reside o problema. Ser benéfico para ambos os lados. Até que ponto abrir mão de si pode ser benéfico? E quando a gente já abriu mão de si, como retomar a própria identidade sem quebrar o vínculo e matar esse ente superior criado (O Relacionamento)?

 

São perguntas bem complicadas de responder num post só, mas são elas que estão povoando as minhas idéias nesta última semana. O meu medo é estar tão acostumada a esse desaparecimento que qualquer pessoa que chegar perto eu vou logo querer me “misturar”, por não saber de que outra forma me relacionar.

 

Porque esse talvez seja o maior aprendizado deste momento: como ser eu mesma novamente, e como não me dissolver completamente na presença de outro alguém. Como determinar onde eu começo e onde eu termino sem que isso me impeça de me relacionar de forma saudável, novamente. 

 

Enquanto penso nisso, fico olhando para essa imagem, tão linda, tão cheia de significados e interpretações.

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