Estou apaixonada.

Apaixonado

Não, não é uma coisa boa. Está sendo péssimo. Aliás, este é o pior tipo de paixão que eu poderia sentir. Porque não é com ninguém específico. Não é com alguém, é com uma idéia.

Eu estou apaixonada e obcecada e completamente perdida com a idéia de me apaixonar de novo. De me envolver e me entregar de novo. De amar e ser correspondida.

E vou te dizer, é uma perda de tempo. É um atraso de vida. É um obstáculo tão gigantesco para a vida real quanto estar sofrendo pelo fim de um amor. Ao menos é a conclusão que cheguei nestes últimos dias.

Porque eu percebi que estou achando que o próximo cara que conhecer vai me enxergar como eu realmente sou, e vai se apaixonar loucamente por mim, e vai fazer de tudo para que eu também me apaixone por ele, e vai conquistar a minha confiança e me fazer sentir viva novamente, e vai me levar flores quando me encontrar na saída do trabalho, e vai pegar na minha mão pra atravessar a rua, e nós vamos sorrir um para o outro e nos sentir completos e confortáveis na presença um do outro a ponto de não importar mais se estou usando maquiagem ou se ele foi escovar os dentes antes de eu acordar.

Mas será que é isso? Será que eu não consigo mais ser eu mesma? Será que é tão difícil assim estar sozinha a ponto de eu precisar então estar apaixonada e só conseguir me sentir bem comigo mesma se estiver com a minha mão segura, bem guardada nas mãos de um homem? Não sei. O que eu sei é que é tentadora a idéia de ser resgatada, de ser importante, de ser especial novamente aos olhos de outra pessoa. E nessas horas os amigos não servem, não. Porque eles não vão querer saber todo o detalhe sobre a sua vida como alguém apaixonado gostaria de saber. Amigos já te conhecem, pra esse tipo de reconhecimento é preciso alguém que esteja descobrindo você, que queira estar perto e queira dividir todos os momentos do dia com você, só porque a vida não parece ter graça de outra maneira. Os amigos têm a própria vida pra viver, e apesar de gostarem muito e estarem disponíveis para quando você precisar, não é esse tipo de amor que faz falta.

Uma amiga me disse que eu preciso reaprender a ser eu mesma. Tenho que me descobrir, me conhecer novamente, e aprender a gostar de mim, antes de qualquer coisa. 

Eu sei que ela está certa, mas o que fazer com essa ansiedade toda, que me faz sonhar com passeios ao entardecer e beijos apaixonados a todo momento? Que me faz ensaiar conversas e planejar quanto tempo vou namorar esse príncipe encantado ainda por conhecer até decidirmos morar juntos? Quantos meses até ele me dizer que me ama de tal forma que não consegue imaginar a vida sem mim, e que, portanto, nós precisamos nos casar?

O problema é que tudo isso é bonito na minha cabeça, e o script e o cenário estão todos prontos, só que o próximo cara que conheço não entende a deixa, e não entra no papel, e não me acha a mulher mais encantadora da face da terra e, bem, não se apaixona loucamente por mim. E eu fico sentadinha na plateia encarando um palco vazio, decepcionada.

Até me ver na próxima situação em que caberá um encontro inesperado com alguém que vai me tirar do chão e me deixar sem ar.

Claro que isso não é saudável. Claro que não está certo. E claro que minha amiga tem razão: o certo seria eu me preocupar comigo mesma, e não com alguém para preencher um vazio enorme que ainda existe. Mas como é difícil seguir pelo caminho do que é certo, e da razão, quando a toda ideia de apaixonar-se e amar de novo é tão mais tentadora. Parece tão mais fácil. É bem mais bonita, apesar de não ser o melhor pra mim. Pelo menos não neste momento.

Statussingle

Achei essa imagem no google, procurando por solteira e feliz. Será que um dia eu chego lá?

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