Tive duas semanas do cão no trabalho e não pude parar e postar. Minha cabeça ficou cheia de idéias, e não sei se é hormonal (essa coisa de TPM afeta mesmo a gente, né) ou se é alguma mudança em mim, interna, mesmo, mas não há melhor forma de descrever tudo além de como uma grande montanha-russa emocional.

A raiva diminui, a saudade apareceu ainda, algumas vezes, mas, na maioria das vezes, o que eu sentia era um grande alívio. Uma tranquilidade, um desafogo, como se as correntes que eu arrastava (mesmo sem querer, e às vezes sem perceber) tivessem desistido de mim. O que é bom. Alívio é sempre bom.
É como estar gripada durante muito e muito tempo e, de repente, de um dia pro outro, conseguir respirar normalmente, sem o peito chiar, sem a garganta arranhar.
Aí, numa das pequenas folgas que tive, aproveitei o convite e fui jantar na casa de uma amiga, com outros amigos. Aí, conversa vai, conversa vem, vinho pra lá e pra cá, chegamos no assunto que sempre chega: amor. Relacionamento. Corações partidos. Todos que estavam ali são amigos há muito tempo, e todos já passaram pela sua cota de relacionamentos que não deram certo e causaram muito sofrimento. Alguns ali não se recuperaram tão fácil. Todos apostavam que eu logo estaria 100% de novo. Eu duvidei.

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Aí essa minha amiga, a dona da casa, que é de uma felicidade contagiante mas que, de todos ali, era a com o histórico mais terrível de dores de amor, falou que eu não poderia deixar que outras pessoas definissem ou limitassem a minha capacidade de amar. Nas palavras quase exatas dela, porque eu já tinha tomado um bocado de vinho: “Ninguém, nenhum babaca poderia tirar de mim a capacidade de amar, de me entregar ao amor”.
Não porque o próximo cara por quem eu me apaixonar merece, mas porque eu mereço, ela disse. Claro que o próximo cara por quem eu me apaixonar vai merecer me ter por inteiro, 100% presente, com toda a minha capacidade de amar, mas eu mereço isso. Eu mereço experimentar todas as paixões, todos os amores por inteiro.
Sabe tudo da vida, essa minha amiga. Chegamos à conclusão de que eu ainda preciso fechar as feridas, preciso encerrar esse ciclo de alguma forma, antes de estar 100% pronta. E não adianta apressar as coisas, cada um tem o seu tempo.
Se o ex já está soltinho e namorando e fazendo grandes declarações de amor para a nova namorada, bem, então ele já não gostava de mim há muito tempo, e isso também eu vou ter que aceitar e organizar e superar. Porque ainda dói demais a idéia de que se ele superou tão rapidamente a nossa separação é porque já estava há muito tempo longe, desconectado, não me amando. Mas estou me apegando ao que minha amiga me disse e tratando de me amar. Não porque o próximo homem que amar merece, mas porque eu mereço.
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