A gente precisa definitivamente deixar o passado para trás pra poder seguir em frente.


Às vezes o ideal é simplesmente seguir em frente, sem nem olhar pra trás. Mas é
sempre bom pensar no que se passou, e onde a gente está, pra não se perder pelo
caminho.

Todos esses meses de tentativas e estratégias para ficar bem, de acordar algumas vezes no meio da noite tateando no escuro à procura daquele abraço, de sorrir forçado enquanto alguém mais sem noção vem me contar que encontrou com o ex e notou como ele está bem ou feliz ou sei lá o quê, de passar por alguma calçada e involuntariamente lembrar que passamos ali juntos e estávamos de mãos dadas, de todo o sofrimento e dor e luto, serviram de aprendizado, de um reencontro comigo mesma, digamos assim.

O que eu aprendi é que não adianta ouvir o que os outros têm a dizer. Cada experiência de fim de relacionamento é uma experiência única. Não depende do tempo que durou, e sim da intensidade que havia. Do envolvimento, da importância que o relacionamento tinha no dia-a-dia da pessoa. Aprendi também que nunca é uma parceria igual, pois um dos lados pode estar mais ou menos apaixonado que o outro, e pode investir mais ou menos dedicação que o outro, e que isso não significa gostar mais ou menos. Significa que o valor que a gente dá para o relacionamento vai depender de uma série infinita de fatores, e o quando estamos apaixonados ou amando de verdade a outra pessoa é apenas um deles.

Aprendi também que a gente recebe de volta o que a gente investe. Talvez não da mesma maneira, talvez não pelos mesmos caminhos, mas recebe. O que eu investi de amor, de tempo, de paciência e atenção com o ex, tudo isso chegou nele e não fez efeito, não encontrou eco, não teve retorno. Mas o que eu recebi de amor, de carinho, de demonstrações de afeto e amizade nesses meses de recuperação foi só o retorno do que eu mesma estava oferencendo ao mundo. Claro, se eu for pensar agora, não deveria ter concentrado todo meu amor, todo meu carinho, numa pessoa incapaz de se abrir, de ser gentil e afetuoso, como o ex. Mas amor a gente não sente pra ter retorno, ou pra ser reconhecido, ou ganhar estrelinha no caderno porque fez direitinho a lição. Amor a gente sente porque ama. E a gente ama porque sim, simplesmente. Porque se for pedir algo em troca não deve ser amor.

E vou dizer que é libertador perceber o quanto eu mudei, o quanto eu melhorei nesses últimos meses. O quanto eu me fortaleci. O quanto eu reaprendi a me amar, a dedicar a mim o meu tempo, a me proteger de grosserias, de palavras brutas que só me machucavam e destruíam a minha fé em mim mesma.

Acho que encerrei esse período de luto. Quer dizer, acho que eu decidi encerrar esse período de luto, definitivamente. Porque também tem isso, ninguém pode dizer quanto tempo a gente vai ficar em “recuperação”, mas a gente mesmo pode decidir que não precisa mais respirar com aparelhos, que não precisa mais usar muleta, e pode decidir que vai reaprender a caminhar pelas próprias pernas, daqui pra frente.

O primeiro passo é criar um ritual para realmente encerrar esse ciclo. Estava conversando com as amigas esses dias e uma delas me disse isso, que a gente precisa de um ritual. Assim como os mortos são enterrados, ou queimados, ou acendemos velas, essas coisas todas que a gente faz para marcar a passagem, marcar o fim. Casamento também é um ritual, que representa um começo. Então nada mais justo que criar um ritual para representar o final.

Ainda não pensei no meu ritual, mas estou elaborando. Assim que pensar em um venho aqui e conto pra vocês. Até lá, vou escrevendo mais posts sobre as minhas conclusões e o meu aprendizado sobre relacionamentos. O que vocês acham?

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