Archive for outubro, 2012


O ponto final

A gente precisa definitivamente deixar o passado para trás pra poder seguir em frente.


Às vezes o ideal é simplesmente seguir em frente, sem nem olhar pra trás. Mas é
sempre bom pensar no que se passou, e onde a gente está, pra não se perder pelo
caminho.

Todos esses meses de tentativas e estratégias para ficar bem, de acordar algumas vezes no meio da noite tateando no escuro à procura daquele abraço, de sorrir forçado enquanto alguém mais sem noção vem me contar que encontrou com o ex e notou como ele está bem ou feliz ou sei lá o quê, de passar por alguma calçada e involuntariamente lembrar que passamos ali juntos e estávamos de mãos dadas, de todo o sofrimento e dor e luto, serviram de aprendizado, de um reencontro comigo mesma, digamos assim.

O que eu aprendi é que não adianta ouvir o que os outros têm a dizer. Cada experiência de fim de relacionamento é uma experiência única. Não depende do tempo que durou, e sim da intensidade que havia. Do envolvimento, da importância que o relacionamento tinha no dia-a-dia da pessoa. Aprendi também que nunca é uma parceria igual, pois um dos lados pode estar mais ou menos apaixonado que o outro, e pode investir mais ou menos dedicação que o outro, e que isso não significa gostar mais ou menos. Significa que o valor que a gente dá para o relacionamento vai depender de uma série infinita de fatores, e o quando estamos apaixonados ou amando de verdade a outra pessoa é apenas um deles.

Aprendi também que a gente recebe de volta o que a gente investe. Talvez não da mesma maneira, talvez não pelos mesmos caminhos, mas recebe. O que eu investi de amor, de tempo, de paciência e atenção com o ex, tudo isso chegou nele e não fez efeito, não encontrou eco, não teve retorno. Mas o que eu recebi de amor, de carinho, de demonstrações de afeto e amizade nesses meses de recuperação foi só o retorno do que eu mesma estava oferencendo ao mundo. Claro, se eu for pensar agora, não deveria ter concentrado todo meu amor, todo meu carinho, numa pessoa incapaz de se abrir, de ser gentil e afetuoso, como o ex. Mas amor a gente não sente pra ter retorno, ou pra ser reconhecido, ou ganhar estrelinha no caderno porque fez direitinho a lição. Amor a gente sente porque ama. E a gente ama porque sim, simplesmente. Porque se for pedir algo em troca não deve ser amor.

E vou dizer que é libertador perceber o quanto eu mudei, o quanto eu melhorei nesses últimos meses. O quanto eu me fortaleci. O quanto eu reaprendi a me amar, a dedicar a mim o meu tempo, a me proteger de grosserias, de palavras brutas que só me machucavam e destruíam a minha fé em mim mesma.

Acho que encerrei esse período de luto. Quer dizer, acho que eu decidi encerrar esse período de luto, definitivamente. Porque também tem isso, ninguém pode dizer quanto tempo a gente vai ficar em “recuperação”, mas a gente mesmo pode decidir que não precisa mais respirar com aparelhos, que não precisa mais usar muleta, e pode decidir que vai reaprender a caminhar pelas próprias pernas, daqui pra frente.

O primeiro passo é criar um ritual para realmente encerrar esse ciclo. Estava conversando com as amigas esses dias e uma delas me disse isso, que a gente precisa de um ritual. Assim como os mortos são enterrados, ou queimados, ou acendemos velas, essas coisas todas que a gente faz para marcar a passagem, marcar o fim. Casamento também é um ritual, que representa um começo. Então nada mais justo que criar um ritual para representar o final.

Ainda não pensei no meu ritual, mas estou elaborando. Assim que pensar em um venho aqui e conto pra vocês. Até lá, vou escrevendo mais posts sobre as minhas conclusões e o meu aprendizado sobre relacionamentos. O que vocês acham?

Anúncios

A onda

Sumi.

Meninas que me lêem, que continuaram a vir aqui, atrás de notícias, eu sumi. Desculpem.

 

Eu me apaixonei. Completamente. Intensamente. Fisicamente. Achei que estava curada, achei que estava pronta, me atirei com todas as forças contra o mar, achando que eu já tava curada, forte, preparada. Me enganei.

O que aconteceu foi que eu saí, numa noite, numa sexta-feira, com umas amigas, e me entreguei completamente. Sabe aquelas coisas que a gente faz de pegar na mão da pessoa e ir com ela para onde ela for, não importando para onde? Então, foi assim. Conheci esse cara (sem nomes, sem nomes!) quase na saída do bar. O bar que eu e minhas amigas estávamos ia fechar, então a gente estava indo para a porta, e casualmente esse grupo de caras estava na mesma situação. Chegando no caixa, todos começamos a interagir uns com os outros, e decidimos continuar a noite em um outro bar, desses mais pé-sujo, mas que fica aberto até mais tarde.

Nós fomos. E eu já comecei a me encantar por esse cara. E, eu achava, ele também se encantava por mim. Conversamos mais, bebemos mais, rimos mais, e quando a noite estava quase virando dia, nos beijamos.

E beijamos mais e mais e mais, e parecia que não ia nunca ser o suficiente. Aí ele me convidou pra ir pra casa, com ele. Eu fui. E nos beijamos mais e mais e parecia que eu não tinha nunca respirado antes de respirar o mesmo ar que ele. Paixão mesmo. Loucura, quase.

Não transamos na madrugada, porque os dois estavam bêbados e cansados, mas na gente também não dormiu. Ficamos conversando e contando histórias e compartilhando sonhos até os dois caírem no sono. Na manhã, ou no que parecia ser de manhã, já que as janelas estavam bem fechadas e a noite parecia não acabar nunca.

Só posso dizer que foi ótimo. Foi lindo. Ele foi carinhoso e audacioso na medida. E o sexo foi intenso, e parecia que a gente tinha nascido para ficar grudado, encaixado, pernas, mãos, boca, tudo.

Nós nem saímos da cama, por quase um dia inteiro. Sim foi uma delícia. Sim, eu me apaixonei, completamente. Nos despedimos no domingo à tarde, e eu fui pra casa caminhando nas nuvens. Deixei meu telefone, meu email. Se pudesse, deixaria minha alma, ali, pra sempre.

Fiquei uma semana com essa sensação boa na pele, a memória da pele dele. Aí tinha trabalho, consegui me concentrar, me distrair, não enlouquecer por não ter notícias dele. Porque ele não ligou.

Ele não ligou e eu me desesperei. Ele não ligou e eu escrevi cartas, quase poemas que eu queria entregar pra ele. Ele não ligou e eu já estava imaginando que ele tinha sido assassinado, sequestrado, torturado, que tinha sufocado de saudade de mim. Estava pensando em algum motivo que me desse a desculpa perfeita pra ir até a casa dele, pra poder me afundar de novo nos braços dele, pra poder me envolver de novo naquela loucura deliciosa que foi estar com ele.

Minhas amigas acharam melhor eu não ir. Porque se ele não tinha ligado é porque ele não queria falar comigo, certo? Certo. Mas quem disse que a gente obedece o que é certo? Por isso que eu disse lá em cima que eu achava que já estava pronta. Porque não estava. Quer dizer, ainda não estou.

Ainda acho que uma paixão vai me salvar. Ainda acho que preciso de alguém pra me completar, ainda acredito que minha vida só vai estar completa se eu tiver um homem comigo. E quantas de nós não pensam assim? Como se o pacote felicidade só pudesse ser comprado e usado caso você primeiro tivesse atingido os pré-requisitos de um corpo perfeito, um trabalho perfeito, um namorado perfeito. Será mesmo que eu preciso disso? Será mesmo que eu não posso encontrar alegria na vida sem ter essa perfeição toda?

Ainda não sei. Sei que fiquei umas duas semanas envolvida com esse cara, e mais uma semana tentando me recuperar. Como quando a gente vai pro mar, e vem uma onda muito, muito grande, e aí quando a gente consegue recuperar o fôlego vem outra onda, e depois outra, e mais outra. Nenhuma tão intensa quanto a primeira, e aí vc já sabe como agir, já aprendeu, já sabe que tem que respirar antes. Então, desta vez, não foi tão difícil de me recuperar, já que nenhuma onda vai ser tão grande quanto a que me derrubou há alguns meses atrás, mas ainda assim me doeu. Porque eu achava que já estava salva, e forte, pra conseguir nadar sozinha de novo.


Ainda não estou. Ainda não me recuperei. Ainda não aprendi.

Será que algum dia vou aprender?