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Num cinema perto de você

Decidi que vou usar este espaço para refletir sobre relacionamentos. Sobre os meus relacionamentos. Sobre o que acontece antes de qualquer coisa ganhar o nome “relacionamento”, e como eu me sinto a respeito. Minha terapeuta achou uma idéia ótima, e de repente, escrevendo e refletindo sobre como eu me comporto, posso identificar os passos em falso, e me corrigir.

 

Então vou contar dessa semana. Quarta fui ao cinema com um conhecido, amigo de uma amiga. Nós não nos conhecemos direito, e ainda assim, quando ele me convidou para ir ao cinema, topei. Nós já estivemos conversando no mesmo grupo em alguns eventos, já trocamos algumas palavras, mas nada de mais. Nada que fosse tão íntimo a ponto de não me deixar nervosa e considerar que talvez esse cinema quisesse dizer algo mais. (e não é que a gente sempre pensa isso?)

 

Depois de algumas horas pensando, aceitei. E foi ótimo.

 

Passado o estranhamento inicial, daquela coisa de começar a falar ao mesmo tempo, e alguns silêncios mais prolongados, encontramos assuntos que eram do interesse dos dois, o que nos fez seguir adiante na conversa até acharmos mais e mais assuntos. Na despedida, combinamos outros cinemas, para depois do Carnaval.

 

E eu gostei, acima de tudo, porque não foi uma situação forçada. Aí fiquei pensando na situação e cheguei a algumas conclusões.

 

Descobri que gosto de ir ao cinema com um cara, quando estamos ainda nos conhecendo, por um motivo muito simples: se nós conseguirmos ficar em silêncio, pelas duas horas e tanto que durar o filme, sem ser extremamente estranho ou desconfortável, é um bom sinal. E explico mais, se eu conseguir, nessas duas horas, relaxar ao lado da pessoa, e não ficar preocupada com meu sapato, minha bolsa, ou onde coloco as mãos, mesmo no escuro, é um sinal melhor ainda. E vou além e posso afirmar que se em vez de ficar pensando se o cara vai ou não me beijar, ou se eu vou querer beijar ou não, ficar prestando atenção ao filme, aí o cara ganhou muitos e muitos pontos comigo.

 

Só que eu ainda estou muito enferrujada nessa coisa de sair com alguém. Não sei ler os sinais direito, ainda, sabe. Ainda não sei distinguir se o convite foi mesmo um convite de amizade, ou se tem mais algum interesse implícito. Definitivamente desaprendi essas coisas.

 

E no caso desse cara de quarta-feira, de repente ele realmente queria companhia para ver o filme, e como nos conhecemos a algum tempo, achou por bem me convidar. E foi ótimo.

 

Só espero que, se ele realmente tem algum outro interesse além da amizade, seja um pouquinho mais claro. Pelo menos até eu me atualizar na linguagem praticada hoje em dia. Enquanto isso, eu vou descobrindo aos poucos como me comportar, no escuro do cinema.

 

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Olá

Eu acho que não sei mais escrever.

Faz tanto mas tanto tempo que não venho aqui que nem sei como publicar, nem sei por onde começar.
 
O que deveria contar, de todas as aventuras fantásticas que andei vivendo?
 
De como a vida muda rápido e as coisas vão acontecendo que às vezes nem dá tempo de parar pra pensar?
 
É, pode ser.
 
Mas uma coisa que eu preciso decidir é: o que fazer com este blog?
 
No início era um espaço pra desabafo, pra eu conseguir colocar meus pensamentos em ordem, dividir minha tristeza, e me organizar pra seguir em frente. Foi um processo importante, mas eu já não estou mais triste, nem preciso seguir em frente. Já segui. Estou seguindo. E saibam que se soubesse que seria tão divertido, e que estaria tão bem, tão decidida, se pudesse voltar no tempo e decidir de novo, talvez eu tomasse essa decisão em vez dele. E provavelmente tomasse essa decisão bem mais cedo.
 
Mas não dá pra voltar no tempo, só pra pensar na vida daqui pra frente, e é isso que eu quero. Aproveitar a vida, e todas as oportunidades que ser solteira podem me oferecer, como mais tempo pra mim, mais tempo pros meus sonhos, mais foco no que eu realmente quero e preciso. Inclusive, mais sexo.
 
Acho que posso continuar falando da vida, aqui, não?
 
 
(Ainda vale desejar Feliz Ano Novo pra todos? Feliz Ano Novo! 2013 vai ser tão bom. Quer dizer, já está sendo)
 
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O primeiro passo

Eu tava com uma frase na cabeça há dias, aí botei no google e descobri que é uma música do Chico Science. Acho que eu nunca prestei muita atenção no que ouvi dele, mas a frase é ótima.

 

Basta um passo à frente, e você já não está mais no mesmo lugar.
Tanta coisa acontecendo na minha vida sem que eu tivesse pensado a respeito, e algumas até contra a minha vontade, que comecei a pensar sobre as mudanças. As que a gente quer, as que a gente provoca, as que a gente tem que saber lidar. É muita coisa.
Esse é um pensamento que talvez eu não consiga encerrar neste post, e talvez eu precise pensar mais um pouco pra conseguir expressar tudo que eu penso, mas a principal idéia é justamente essa: de que se você der um pequeno passo em direção ao que quer, já não vai mais estar no mesmo lugar. Já vai estar um pequeno passo mais perto do que quero. Um pequeno passo mais distante do que não quer.
Outro dia estava jantando com uns amigos e estávamos conversando sobre escolhas. Uma das meninas presentes, que eu ainda não conhecia ainda, estava nos contando que não sabe se permanece na cidade, se vai pra outra cidade fazer o doutorado, se vai fazer outro curso. Ela estava em dúvidas sobre o que escolher, e quais critérios deveria levar em consideração ao tomar sua decisão. Aí, um dos meus amigos disse uma coisa muito certa, ele disse que às vezes é mais importante saber do que você está disposto a abrir mão do que o que você quer manter.
Porque as mudanças na vida também dependem das escolhas que a gente vai fazer a partir do momento que decide mudar. Comida, horários, pessoas, investimentos, todas as escolhas têm que estar convergindo para a mudança que queremos, senão não faz muito sentido, senão é como dar dois passos para frente e no minuto seguinte mudar a direção e dar mais um passo pro lado. O resultado disso é fácil de prever: é ficar andando em círculos, ao redor do próprio rabo e não chegar a lugar nenhum.
Inspirada pelas queridas Taís e Paula, que estão aos pouquinhos mudando suas vidas pra melhor, também vou fazer um planejamento pra minha vida. Quero ser uma pessoa mais tranquila, mais leve, mais saudável, mais desapegada, mais estável financeiramente falando, com mais estudo, com mais tempo pra mim. Quero ser uma pessoa com mais qualidade do que quantidade. Quero um trabalho que me dê prazer e que me permita planejar a vida. Quero poder estar mais satisfeita comigo mesma, em todos os sentidos. Ok, eu sei, pra me organizar de verdade é preciso estabelecer metas claras, com prazos, e traçar ações para alcançar todos os objetivos. Mas estou apenas dividindo as ansiedades, dando o primeiro passo.
Porque eu cansei mesmo de ficar no mesmo lugar.

Os medos

Esta semana estava vendo filmes de terror. Esses da franquia Atividade Paranormal. Devo dizer que fiquei com medo – essas coisas de fantasmas e coisas que não conseguimos explicar me assustam mesmo, e toda a tensão do filme, depois que passou, me levou a pensar naquilo que tenho medo na vida real. Do que eu tenho medo hoje.

Hoje eu tenho medos bem diferentes daqueles que tinha há um ano atrás. Há um ano atrás eu ainda tinha um casamento, tinha uma vida estável, vivia o que eu achava que era um conto de fadas na realidade, e meus medos giravam em torno de não poder engravidar, ou de não conseguir ser promovida no emprego, ou de não conseguirmos ir pra praia no final do ano. Coisas que eram verdadeiros monstros para mim, há um ano, agora são apenas sombras bobas.

 

Ok, ok, eu tinha medo de morrer. Muito. E tinha medo de ser vítima da violência urbana, e disso ainda tenho, um pouco. E tinha um tanto de medo de perder o amor do marido (hoje, meu ex). Mas esse medo me parecia mais uma obrigação do que uma ameaça real. Afinal, a gente se amava, e era pra sempre, como é que eu poderia temer uma coisa que não poderia nunca acontecer?

Mas aconteceu, e hoje eu vejo quanta coisa já mudou dentro de mim desde aquele dia em que brigamos e terminamos, desde que comecei a terapia, desde que comecei o blog. Desde que mudei a perspectiva da minha vida.

Hoje meu medo é não conseguir amar novamente. Paixão acontece, já aconteceu comigo e eu sei que vai acontecer de novo, mas não é disso que estou falando. Estou falando de amor. De entrega. De intimidade. De estar tranquila e me sentir segura ao lado de outra pessoa. Esse só não é maior porque meu maior medo é de me machucar novamente. De doer, de que a ferida feita tenha sido tão grande que nunca mais vá fechar. Que meu coração nunca mais vá funcionar como antes.

Eu tenho medo de não poder mais confiar nas pessoas, de ficar sempre com um resquício de desconfiança, de insegurança. Tenho medo de nunca mais conseguir baixar a guarda pra ninguém, e com isso afastar todo mundo por causa do muro tão alto que coloquei ao meu redor só pra me proteger.

Eu tenho medo de que meus amigos escolham ficar do lado do ex. Isso me apavora. Com quem eu vou contar, em quem vou confiar? E como assim, meus amigos vão escolher ficar do lado do ex? Meu medo é que eu não seja mais uma pessoa legal, ou tenha chorado tanto e enchido tanto os ouvidos deles com as minhas mágoas e tristezas que eles tenham cansado de mim. Será que eu ainda consigo ser uma pessoa legal? Será que eu consigo de novo ser divertida, ser uma boa companhia, ser alguém que eles querem ter sempre por perto?

Meu medo é continuar tendo todos esses medos gigantes, poderosos, e passar a viver na sombra deles, e nunca mais me libertar, não saber nunca mais viver sem eles.

Vou dizer que mesmo sendo medos bem maiores, sem forma ou cara específica como eram meus antigos medos, todos esses agora estão relacionados diretamente a mim, e resolver ou não depende apenas de mim. Depende de eu ter coragem ou não de olhar para eles de frente e decidir enfrentar o fantasma, o escuro. Ainda assim por mais pavoroso que possa parecer, acho que nada vai ser tão grandioso e opressivo quanto o dia do fim do meu casamento.

Quando a gente vê toda a vida que levamos tantos anos construindo desmoronando tão rápido quando o outro diz “eu não amo mais você” qualquer outro monstro ou fantasma ou medo já não tem tanta força.

 

O número

Quantos sapos a gente precisa beijar antes de um deles realmente virar príncipe?

Ok, ok, a imagem é bem clichê, mas não é isso que a gente quer? Além de ser respeitada no trabalho, ter os mesmos direitos, e ter saúde, e todas essas conquistas feministas que a gente aproveita mesmo que às vezes não dê o devido valor, a gente quer tudo isso e também amor. E também alguém que nos trate bem, que nos encha de beijos, e que nos acompanhe nos planos de família, viagens, filhos, essas coisas. Ou estou errada em querer tudo? Em achar que mereço tudo?

Então repito a pergunta: quantos sapos a gente precisa beijar antes de um deles realmente virar príncipe?

Esses dias passou na tevê um filme bem bobinho, chamado Qual seu Número?, com aquela atriz loirinha dos filmes do Todo Mundo em Pânico. O filme gira em torno da dúvida dela sobre se já saiu com muitos caras, se já transou demais, qual é o número médio de caras com quem uma mulher fica antes de encontrar o cara ideal.


Claro que “cara ideal” é um conceito bem flexível, o que é ideal pra mim agora já não significa a mesma coisa que significava há uns meses atrás, e o que é ideal pra mim pode não ser pra você, e até a Ally (a personagem principal do filme) perceber isso, ela ouve bobagem das amigas, da mãe, e se sente feliz até não poder mais. Ela ignora o que ela sente e o que ela acha certo para a vida dela, pra obedecer uma reportagem estúpida sobre com quantos homens a mulher pode transar sem ser demais.

Aí, como ela decide que não pode ultrapassar o número 20, que o vigésimo cara com quem ficar tem que ser o cara com quem ela vai casar, ela faz uma lista de todos com quem já transou pra escolher um deles, pra reatar com algum deles.

No filme, ela tem que passar por todos os ex, tem que rever todos os “erros” que cometeu, revisar todas as lições que aprendeu, até estar pronta pra encontrar o cara certo.

Licenças poéticas à parte, com quantos caras errados a gente precisa estar e aprender coisas até encontrar o cara certo?


Nessas minhas aventuras de solteirice, já fiquei com alguns. Cheguei a me apaixonar, a me entregar, fiz tudo o que pude para dar certo, mas ainda assim não deu, ou o cara sumiu, ou eu simplesmente me desinteressei. Então qual é o segredo, qual é a fórmula pra dar certo?

Antes de começar a namorar meu ex, eu saía bastante com as amigas, me divertia muito, beijava muito por aí, e estava tranquila. Quando conheci meu ex, não dei muita bola pra ele, nós conversávamos, nós ríamos pra caramba, mas eu nem cogitava ficar com ele. Acho que nem ele cogitava ficar comigo, ao menos não na época. A gente se divertia bastante, disso eu me lembro, e era uma coisa leve, e despreocupada. E começou aos poucos: sem que eu percebesse ele passou a ocupar todos os espaços livres que eu tinha, primeiro com jantares, depois com filmes à tarde, depois com almoços e cinemas e baladas. E quando eu percebi, já não conseguia mais pensar em fazer qualquer coisa sem convidar ele também.

Mas onde está a medida? Como é que a gente chega nessa tranquilidade? Quando é que a gente pode se sentir realmente pronta pra se apaixonar e amar de novo de verdade?

Acho que tenho que fazer como a personagem do filme, e não me preocupar mais com o que as pessoas acham que eu devo fazer, ou com quem devo me envolver. Não sei se vai ser tão engraçado e fácil como numa comédia romântica, mas ao menos é a minha vida, são as minhas escolhas. Vai que é isso que funciona.

O ponto final

A gente precisa definitivamente deixar o passado para trás pra poder seguir em frente.


Às vezes o ideal é simplesmente seguir em frente, sem nem olhar pra trás. Mas é
sempre bom pensar no que se passou, e onde a gente está, pra não se perder pelo
caminho.

Todos esses meses de tentativas e estratégias para ficar bem, de acordar algumas vezes no meio da noite tateando no escuro à procura daquele abraço, de sorrir forçado enquanto alguém mais sem noção vem me contar que encontrou com o ex e notou como ele está bem ou feliz ou sei lá o quê, de passar por alguma calçada e involuntariamente lembrar que passamos ali juntos e estávamos de mãos dadas, de todo o sofrimento e dor e luto, serviram de aprendizado, de um reencontro comigo mesma, digamos assim.

O que eu aprendi é que não adianta ouvir o que os outros têm a dizer. Cada experiência de fim de relacionamento é uma experiência única. Não depende do tempo que durou, e sim da intensidade que havia. Do envolvimento, da importância que o relacionamento tinha no dia-a-dia da pessoa. Aprendi também que nunca é uma parceria igual, pois um dos lados pode estar mais ou menos apaixonado que o outro, e pode investir mais ou menos dedicação que o outro, e que isso não significa gostar mais ou menos. Significa que o valor que a gente dá para o relacionamento vai depender de uma série infinita de fatores, e o quando estamos apaixonados ou amando de verdade a outra pessoa é apenas um deles.

Aprendi também que a gente recebe de volta o que a gente investe. Talvez não da mesma maneira, talvez não pelos mesmos caminhos, mas recebe. O que eu investi de amor, de tempo, de paciência e atenção com o ex, tudo isso chegou nele e não fez efeito, não encontrou eco, não teve retorno. Mas o que eu recebi de amor, de carinho, de demonstrações de afeto e amizade nesses meses de recuperação foi só o retorno do que eu mesma estava oferencendo ao mundo. Claro, se eu for pensar agora, não deveria ter concentrado todo meu amor, todo meu carinho, numa pessoa incapaz de se abrir, de ser gentil e afetuoso, como o ex. Mas amor a gente não sente pra ter retorno, ou pra ser reconhecido, ou ganhar estrelinha no caderno porque fez direitinho a lição. Amor a gente sente porque ama. E a gente ama porque sim, simplesmente. Porque se for pedir algo em troca não deve ser amor.

E vou dizer que é libertador perceber o quanto eu mudei, o quanto eu melhorei nesses últimos meses. O quanto eu me fortaleci. O quanto eu reaprendi a me amar, a dedicar a mim o meu tempo, a me proteger de grosserias, de palavras brutas que só me machucavam e destruíam a minha fé em mim mesma.

Acho que encerrei esse período de luto. Quer dizer, acho que eu decidi encerrar esse período de luto, definitivamente. Porque também tem isso, ninguém pode dizer quanto tempo a gente vai ficar em “recuperação”, mas a gente mesmo pode decidir que não precisa mais respirar com aparelhos, que não precisa mais usar muleta, e pode decidir que vai reaprender a caminhar pelas próprias pernas, daqui pra frente.

O primeiro passo é criar um ritual para realmente encerrar esse ciclo. Estava conversando com as amigas esses dias e uma delas me disse isso, que a gente precisa de um ritual. Assim como os mortos são enterrados, ou queimados, ou acendemos velas, essas coisas todas que a gente faz para marcar a passagem, marcar o fim. Casamento também é um ritual, que representa um começo. Então nada mais justo que criar um ritual para representar o final.

Ainda não pensei no meu ritual, mas estou elaborando. Assim que pensar em um venho aqui e conto pra vocês. Até lá, vou escrevendo mais posts sobre as minhas conclusões e o meu aprendizado sobre relacionamentos. O que vocês acham?

A onda

Sumi.

Meninas que me lêem, que continuaram a vir aqui, atrás de notícias, eu sumi. Desculpem.

 

Eu me apaixonei. Completamente. Intensamente. Fisicamente. Achei que estava curada, achei que estava pronta, me atirei com todas as forças contra o mar, achando que eu já tava curada, forte, preparada. Me enganei.

O que aconteceu foi que eu saí, numa noite, numa sexta-feira, com umas amigas, e me entreguei completamente. Sabe aquelas coisas que a gente faz de pegar na mão da pessoa e ir com ela para onde ela for, não importando para onde? Então, foi assim. Conheci esse cara (sem nomes, sem nomes!) quase na saída do bar. O bar que eu e minhas amigas estávamos ia fechar, então a gente estava indo para a porta, e casualmente esse grupo de caras estava na mesma situação. Chegando no caixa, todos começamos a interagir uns com os outros, e decidimos continuar a noite em um outro bar, desses mais pé-sujo, mas que fica aberto até mais tarde.

Nós fomos. E eu já comecei a me encantar por esse cara. E, eu achava, ele também se encantava por mim. Conversamos mais, bebemos mais, rimos mais, e quando a noite estava quase virando dia, nos beijamos.

E beijamos mais e mais e mais, e parecia que não ia nunca ser o suficiente. Aí ele me convidou pra ir pra casa, com ele. Eu fui. E nos beijamos mais e mais e parecia que eu não tinha nunca respirado antes de respirar o mesmo ar que ele. Paixão mesmo. Loucura, quase.

Não transamos na madrugada, porque os dois estavam bêbados e cansados, mas na gente também não dormiu. Ficamos conversando e contando histórias e compartilhando sonhos até os dois caírem no sono. Na manhã, ou no que parecia ser de manhã, já que as janelas estavam bem fechadas e a noite parecia não acabar nunca.

Só posso dizer que foi ótimo. Foi lindo. Ele foi carinhoso e audacioso na medida. E o sexo foi intenso, e parecia que a gente tinha nascido para ficar grudado, encaixado, pernas, mãos, boca, tudo.

Nós nem saímos da cama, por quase um dia inteiro. Sim foi uma delícia. Sim, eu me apaixonei, completamente. Nos despedimos no domingo à tarde, e eu fui pra casa caminhando nas nuvens. Deixei meu telefone, meu email. Se pudesse, deixaria minha alma, ali, pra sempre.

Fiquei uma semana com essa sensação boa na pele, a memória da pele dele. Aí tinha trabalho, consegui me concentrar, me distrair, não enlouquecer por não ter notícias dele. Porque ele não ligou.

Ele não ligou e eu me desesperei. Ele não ligou e eu escrevi cartas, quase poemas que eu queria entregar pra ele. Ele não ligou e eu já estava imaginando que ele tinha sido assassinado, sequestrado, torturado, que tinha sufocado de saudade de mim. Estava pensando em algum motivo que me desse a desculpa perfeita pra ir até a casa dele, pra poder me afundar de novo nos braços dele, pra poder me envolver de novo naquela loucura deliciosa que foi estar com ele.

Minhas amigas acharam melhor eu não ir. Porque se ele não tinha ligado é porque ele não queria falar comigo, certo? Certo. Mas quem disse que a gente obedece o que é certo? Por isso que eu disse lá em cima que eu achava que já estava pronta. Porque não estava. Quer dizer, ainda não estou.

Ainda acho que uma paixão vai me salvar. Ainda acho que preciso de alguém pra me completar, ainda acredito que minha vida só vai estar completa se eu tiver um homem comigo. E quantas de nós não pensam assim? Como se o pacote felicidade só pudesse ser comprado e usado caso você primeiro tivesse atingido os pré-requisitos de um corpo perfeito, um trabalho perfeito, um namorado perfeito. Será mesmo que eu preciso disso? Será mesmo que eu não posso encontrar alegria na vida sem ter essa perfeição toda?

Ainda não sei. Sei que fiquei umas duas semanas envolvida com esse cara, e mais uma semana tentando me recuperar. Como quando a gente vai pro mar, e vem uma onda muito, muito grande, e aí quando a gente consegue recuperar o fôlego vem outra onda, e depois outra, e mais outra. Nenhuma tão intensa quanto a primeira, e aí vc já sabe como agir, já aprendeu, já sabe que tem que respirar antes. Então, desta vez, não foi tão difícil de me recuperar, já que nenhuma onda vai ser tão grande quanto a que me derrubou há alguns meses atrás, mas ainda assim me doeu. Porque eu achava que já estava salva, e forte, pra conseguir nadar sozinha de novo.


Ainda não estou. Ainda não me recuperei. Ainda não aprendi.

Será que algum dia vou aprender?

O sonho

 

A vida anda boa, tenho que confessar. Confusa, mas boa. A dor já não é tão difícil de aguentar e é claro que ter alguém pra me distrair, pra me entreter, pra me fazer sorrir de novo, ajuda bastante. Mas o inconsciente às vezes trabalha contra a gente, e venho sonhando com o ex há alguns dias. Quase que dia sim, dia não, sonho alguma coisa relacionada com ele, ou acontecendo na casa que era nossa, ou revivendo alguma situação em que estávamos juntos.

Num desses sonhos, eu tinha que chegar em casa e cozinhar para ele e para umas visitas, e eu me sentia muito incomodada não só com as visitas, que eu não sei quem eram mas também com o fato de que não havia comida na casa, apenas arroz e milho de pipoca. E ainda assim, misturados em potes de vidro, e eu me via obrigada a ficar na cozinha, e separar grão por grão, e fazer arroz em uma panela e pipoca na outra. E ainda tinha que lidar com o ex entrando de tempos em tempos na cozinha pra reclamar que as visitas estavam com fome, e eu era uma péssima esposa de não ter comprado comida nenhuma.

 

Num outro sonho, eu viajava sozinha para longe, e chegava num bar para descansar, e o garçom vinha me avisar que tinha uma ligação pra mim no balcão. Eu corria para o telefone, e ouvia a voz do ex, chorando, me dizendo pra voltar, porque ele tinha batido o carro, e estava sem a chave de casa, e precisava de mim, e se eu não voltasse ele iria dormir na rua, na praça na frente de casa. Eu saía correndo do bar, e vinha o garçom atrás de mim pra me lembrar que eu tinha que pagar a conta, e eu apenas dizia, mas eu não pedi nada, e meu marido precisa de mim, e o garçom vinha o tempo inteiro atrás de mim, e eu precisava pedir carona na estrada pra conseguir voltar pra casa e chegar na frente do prédio e via os sapatos do ex na porta, e o porteiro me avisava que ele estava dormindo na praça, e eu me via atravessando a rua, com o garçom ainda atrás de mim, caminhando ao redor das árvores pra encontra-lo, porque ele ficava me chamando mas ao mesmo tempo ficava fugindo de mim. Eu ouvia a voz dele me chamando, me pedindo ajuda, mas não conseguia nem ver nem enxergar ele.

 

Neste, de hoje, eu estava saindo de um hospital, que tinha uma loja e precisava comprar um vestido para um casamento. E quando entrava na loja encontrava os pais do ex, super arrumados, prontos pro casamento, como se estivessem me esperando. Eles me cumprimentam, bem felizes, e dizem para eu ir com eles, que eles me dão uma carona, e eu ficava preocupada com meu vestido, que ia amassar, pois havia mais gente no carro conosco. E íamos por uma estrada muito estranha, comprida, vazia, com absolutamente nada em volta, e eu só pensava em achar um ponto de táxi ou uma parada de ônibus pra poder descer daquele carro. Só que enquanto isso a minha ex-sogra ficava o tempo todo me dizendo pra aceitar o filho dela de volta, porque ela tinha certeza de que ela ainda me amava e que ele queria muito voltar, e que eu estaria cometendo um erro tremendo se não voltasse pra ele. E nesse meio tempo nós chegávamos na festa, um salão muito feito, e todo mundo vinha falar comigo e me abraçar, e me dizer pra eu me vestir, me arrumar depressa, e eu só conseguia me concentrar numa parede horrível preta ao longo de todo o salão, cheia de marcas de mãos engorduradas.

 

Acordei enojada, me sentindo muito mal.

 

Não sei o que esses sonhos significam, e não sei se isso vai fazer muita diferença, agora.
O que eu sei é que não aguento mais ficar dividida, com os pensamentos misturados entre estar feliz por ele ter seguido em frente e estar feliz com a nova namorada, entre estar com raiva por ele ter seguido em frente tão rapidamente, e entre um medo absurdo de me deixar envolver por esse homem novo na minha vida, que me manda mensagem, e me pergunta como eu estou e me estende a mão sem me pedir nada em troca.

 

Eu estou me controlando por demais pra não invadir nenhum espaço e ir com calma com ele, até porque eu não sei aonde isso vai parar, isso desse encantamento inicial. Mas também não quero ir com muita sede ao pote, não quero assustar ele com o tamanho da minha tristeza (que eu ainda sinto às vezes, não vou mentir pra vocês), nem parecer carente demais e ficar exigindo mais coisas do que ele pode me dar neste momento.

 

Afinal, eu tava acostumada com um marido, um convívio diários e intenso e um hábito criado de nos falarmos várias vezes durante o dia, ou trocarmos mensagens pra falar as coisas mais bobas. E, bem, eu tenho me lembrar que eu não tenho mais um marido, e qualquer coisa que for acontecer a partir de agora, tem que ser construído e combinado e descoberto entre nós dois.
Mas ele tem me ajudado sim, tem sido carinhoso comigo, tem me ajudado a curar as feridas maiores, ele não tem pressa, e parece que eu consigo respirar de novo. Tem dias ruins, em que a vontade de chorar bate em mim como uma onda de tsunami. Mas tem dias muito bons, em que eu passo sem pensar na tristeza ou na saudade.

 

Acho que estou melhorando. Acho que essa dúvida faz parte do processo. Mas acho que o que tem mais me ajudado é estar sendo absolutamente honesta comigo mesma, e avaliando o tempo todo meus sentimentos, prestando atenção o tempo todo no que estou sentindo e em como estou reagindo a esses sentimentos. Isso a minha psicóloga tinha me dito pra fazer lá no início, um diário de sentimentos, e mesmo não sendo muito disciplinada de escrever dia a dia, está me ajudando a prestar mais atenção em mim.

 

Ela me disse, na consulta desta semana, que sonhar faz parte também do processo de cura. Como uma fervura que sobe, pra separar as impurezas do inconsciente dos desejos e transformações do consciente. Acho que faz sentido. Se for assim, acho que aguento mais alguns sonhos malucos desses. O que eu não aguento mais é estar dividida, no meio, sem ter saído do passado completamente mas sem ter chegado ainda no futuro.

A dança

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Tem momentos na vida em que agente não sabe bem o que vai acontecer, nem sabe muito bem por onde ir, mas de repente surge alguém que nos pega pela mão e nos olha nos olhos e diz que vai ficar tudo bem. 

E aí fica. 

Foi mais ou menos o que aconteceu comigo este final de semana. Saí com um conhecido, amigo de um amigo, porque ele insistiu muito. Vinha insistindo faz tempo, ligando, mandando mensagens, até que aceitei. Passei tanto tempo na vida sempre preocupada em controlar, em fazer certo, em não deixar espaços em branco que quando ele me pegou pela mão e me levou (primeiro no cinema, depois no restaurante, depois pela cidade) fiquei até espantada de como a vida pode ser divertida se a gente não está tentando prever e cuidar de tudo nos mínimos detalhes.

O cinema foi divertido, um desses filmes de menino, com perseguição e explosões. No restaurante, ele me perguntou o que eu gostava de comer, e me deixou olhar o cardápio, e me sugeriu exatamente o que eu queria comer (hambuguer, nham nham!). E durante todo o tempo a conversa foi leve, foi tranquila, e, o mais importante, ele me olhava nos olhos e queria me ouvir, saber a minha opinião, e me contava historinhas bobas e engraçadas pra me fazer rir.

E depois saímos pela cidade, caminhando até a casa dele. Sim, era uma armadilha, mas sim, eu deixei que ele me guiasse. 

Chegamos na casa dele, e eu comecei a ficar nervosa. E se ele quisesse me beijar e eu não quisesse mais? E se ele começasse a tirar a minha roupa e eu não quisesse mais? Todos esses “e se?” na minha cabeça e eu já não sabia mais o que queria, nem o que estava fazendo ali. Mas acho que ele percebeu toda essa confusão, porque sentou ao meu lado no sofá e apenas sorriu. Não tento pegar na minha mão, nem tentou me beijar, nem fez nenhum comentário de duplo sentido. Voltei a respirar normalmente, me acalmei e as dúvidas e questionamentos todos começaram a sumir.

Onde ele estava nesses últimos meses quando eu precisava desse olhar sem pressa, sem cobrança, pra me acalmar? Não sei. Mas fiquei feliz de não estar ali sozinha. Porque naquele momento não me senti sozinha. E o que seria da vida se não fossem esses momentos pra gente guardar, e lembrar e relembrar sempre que precisa?

A conversa continua, e antes que eu perceba ele levanta, me estende a mão e me tira pra dançar. E antes que eu entre em pânico total – o que fazer? E se eu não quiser mais? E se eu tropeçar? Como fazer? – ele não faz nada além de dançar. E olhar pra mim e sorrir. A gente continua dançando por não sei quantas músicas, até que ele diz no meu ouvido que não tem pressa. Que a gente não precisa ter pressa de nada.

E essas palavras derreteram o restante de dúvidas que eu tinha. Foi a mão estendida me conduzindo por um caminho que eu ainda não conheço bem, mas que parece ser divertido.

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A capacidade de amar

Tive duas semanas do cão no trabalho e não pude parar e postar. Minha cabeça ficou cheia de idéias, e não sei se é hormonal (essa coisa de TPM afeta mesmo a gente, né) ou se é alguma mudança em mim, interna, mesmo, mas não há melhor forma de descrever tudo além de como uma grande montanha-russa emocional.

A raiva diminui, a saudade apareceu ainda, algumas vezes, mas, na maioria das vezes, o que eu sentia era um grande alívio. Uma tranquilidade, um desafogo, como se as correntes que eu arrastava (mesmo sem querer, e às vezes sem perceber) tivessem desistido de mim. O que é bom. Alívio é sempre bom.
É como estar gripada durante muito e muito tempo e, de repente, de um dia pro outro, conseguir respirar normalmente, sem o peito chiar, sem a garganta arranhar.
Aí, numa das pequenas folgas que tive, aproveitei o convite e fui jantar na casa de uma amiga, com outros amigos. Aí, conversa vai, conversa vem, vinho pra lá e pra cá, chegamos no assunto que sempre chega: amor. Relacionamento. Corações partidos. Todos que estavam ali são amigos há muito tempo, e todos já passaram pela sua cota de relacionamentos que não deram certo e causaram muito sofrimento. Alguns ali não se recuperaram tão fácil. Todos apostavam que eu logo estaria 100% de novo. Eu duvidei.

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Aí essa minha amiga, a dona da casa, que é de uma felicidade contagiante mas que, de todos ali, era a com o histórico mais terrível de dores de amor, falou que eu não poderia deixar que outras pessoas definissem ou limitassem a minha capacidade de amar. Nas palavras quase exatas dela, porque eu já tinha tomado um bocado de vinho: “Ninguém, nenhum babaca poderia tirar de mim a capacidade de amar, de me entregar ao amor”.
Não porque o próximo cara por quem eu me apaixonar merece, mas porque eu mereço, ela disse. Claro que o próximo cara por quem eu me apaixonar vai merecer me ter por inteiro, 100% presente, com toda a minha capacidade de amar, mas eu mereço isso. Eu mereço experimentar todas as paixões, todos os amores por inteiro.
Sabe tudo da vida, essa minha amiga. Chegamos à conclusão de que eu ainda preciso fechar as feridas, preciso encerrar esse ciclo de alguma forma, antes de estar 100% pronta. E não adianta apressar as coisas, cada um tem o seu tempo.
Se o ex já está soltinho e namorando e fazendo grandes declarações de amor para a nova namorada, bem, então ele já não gostava de mim há muito tempo, e isso também eu vou ter que aceitar e organizar e superar. Porque ainda dói demais a idéia de que se ele superou tão rapidamente a nossa separação é porque já estava há muito tempo longe, desconectado, não me amando. Mas estou me apegando ao que minha amiga me disse e tratando de me amar. Não porque o próximo homem que amar merece, mas porque eu mereço.